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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Voto de cabresto em Murici

REDUTO DO VOTO DE CABRESTO

Referente as eleições ocorridas em 2010

Uma linha de montagem de voto de cabresto foi criada na reta final da campanha eleitoral em Murici, Alagoas, na casa da família do senador Renan Calheiros (PMDB), que disputa a reeleição. Pertencente à matriarca da família, Ivanilda, a residência é usada como central de clientelismo explícito, sob o comando do prefeito, Remi Calheiros, irmão de Renan. A reportagem flagrou na quinta-feira um batalhão de mais de cem pessoas em plena atividade de cabala de votos, divididas em brigadas, conforme a tarefa.

O objetivo do esquema era o treinamento de eleitores para votar nos candidatos da família, em troca de favores, ajuda material e promessas. A maior das brigadas, com cerca de 30 pessoas, preenchia santinhos em profusão, sobre uma longa mesa de madeira na sala principal, com a cola a ser levada pelos eleitores à urna. Em outra dependência, uma brigada menor, de umas dez pessoas mais instruídas, dava orientações aos eleitores sobre como votar na urna eletrônica.

Enquanto isso, na cozinha, uma equipe preparava comida em imensas panelas para o pessoal de apoio e dezenas de eleitores que se acotovelavam em todas as dependências da casa – salas, varandas, quartos, pátio e quintal – à espera do “acordo”.

Outro pelotão encarregava-se de trazer eleitores para a casa, numa robusta frota integrada por kombis, caminhonetes e veículos menores. Eram todos pobres da periferia da cidade e da zona rural, entre eles mulheres com filhos de colo. Alguns eram flagelados que perderam tudo nas enchentes do Rio Mundaú que varreram a região em junho.

Os santinhos, preenchidos com o número dos candidatos com canetas esferográfica, trazem na frente a foto do chefe do clã, Renan. O verso traz uma imitação de cédula de votação com seis campos, cada um com espaço para preencher, pela ordem, o voto no candidato a presidente, seguido pelo do governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual. A Justiça Eleitoral informou que uso de cola é permitido, mas corrupção de eleitor é crime.

Para o cientista político Alberto Saldanha, da Universidade Federal de Alagoas, o clientelismo e a troca de voto por favores e bagatelas ainda são uma realidade alimentada pela ignorância e a extrema pobreza de grande parte da população, sobretudo no sertão nordestino. 

Fonte: O HOJE

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